quarta-feira, 25 de julho de 2018

Chama

Ele para. Protege a chama do vento.
É o que precisa fazer na maioria dos dias.
Em outros, mais inspiradores, corre – sem “fazer” muito vento, e como é difícil! – e a alimenta. Tenta buscar dentro de si uma fonte. Quando não consegue, abre um livro do Pessoa, porque assim se esquece de sua pequenez, pensando se encontrar em alguma das pessoas do Grande. Isso acende uma nova faísca, que aumenta a chama.
Eis que chegam dias de sopros fortes. Então ele para novamente. Permite que apenas uma porção ideal de vento atinja a chama, que quase some, depois volta, mais forte.
Faz dos sonhos seus alimentadores de chama nos dias em que a inspiração é fraca.
Transforma o melhor que vive em poesia e o resto que lhe é possível, em simples poção-fortalecedora-de-luz. E do que assim não pode fazer, abandona.

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